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| O youtuber Felipe Castanhari fala sobre bolha social em um de seus vídeos |
Em meados dos anos 1990, pesquisadores já se preocupavam em como organizar e selecionar os conteúdos mais adequados para cada consumidor numa época em que o excesso de informação já era visto como problemático. Nicholas Negroponte, do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), a princípio imaginou um tipo de auxiliar inteligente para a televisão que pudesse aprender os gostos de quem assiste e então ser capaz de escolher os melhores programas para cada telespectador.
Logo Negroponte percebeu que essa ideia se aplicava a praticamente
todo tipo de conteúdo, e imaginou um futuro “no qual tenhamos um agente de
interface capaz de ler todos os jornais e revistas, acompanhar todas as
transmissões de TV e rádio do planeta, e então construir um resumo
personalizado. Esse jornal seria então impresso numa edição que poderíamos
chamar de… Diário do Eu.” (p.1)
Em seguida, acadêmicos e empresas perceberam a real
necessidade de criar esse “agente inteligente”. Em um mundo repleto de
informação, para conseguir atenção das pessoas e obter lucros, seria preciso oferecer
conteúdos adequados aos gostos de cada um. E assim começou a corrida pela
oferta de relevância pessoal.
A Amazon foi um dos primeiros negócios localizados na internet
a ser bem-sucedido com base no investimento em relevância pessoal. Para Jeff
Bezos, seu criador e presidente, “a Amazon precisava ser ‘uma espécie de
pequena empresa de inteligência artificial’ movida por algoritmos capazes de
estabelecer instantaneamente uma correspondência entre consumidores e livros.”
(p.3)
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| Site da Amazon, loja virtual |
A livraria virtual utiliza um método de filtragem
colaborativa desenvolvido no Centro de Pesquisa de Palo Alto (Parc). Dessa
maneira, a Amazon tem um ambiente personalizado capaz de aprender os gostos dos
leitores, ajudando a encontrar o que procuram e sugerindo novas opções de
leitura. Frequentemente os executivos da empresa apontam esses mecanismos de
personalização como fundamentais para o sucesso da Amazon.
Entretanto, não apenas para vender produtos mais
eficientemente servem os algoritmos e o conceito de relevância, mas também para
localizar sites na internet. Foi esse o raciocínio dos fundadores do Google,
Larry Page e Sergey Brin. O Google não foi o primeiro site de buscas criado,
mas entre tantas vantagens, ele não se baseia apenas nas palavras-chaves para
mostrar resultados, mas também na relevância dos sites, com base em citações
nos sites de outros sites e assim pode detectar os resultados ‘mais relevantes’.
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| Serviços do Google |
O feed de notícias do Facebook é seu grande diferencial e a
representação máxima de um dispositivo orientado pelo princípio da relevância,
funcionando como um jornal personalizado com notícias produzidas pelos amigos.
No entanto, Zuckerberg ainda tinha um projeto mais ambicioso: o Facebook
Everywhere.
“Zuckerberg queria tomar o modelo do Feed de Notícias, usado
para organizar as informações sociais, e aplicá-lo a toda informação
disponível. Embora nunca tenha sido declarado, o objetivo era claro:
aproveitando-se do gráfico social e da massa de informações fornecidas pelo usuários
do Facebook, Zuckerberg queria colocar o algoritmo de notícias do Facebook no
centro da rede” (p.9).
Assim, milhões de sites agora são personalizados, inclusive
sites de jornais. O Facebook vai agregando toda a rede, ao permitir o ‘curtir’
em basicamente todo site, e dessa forma continua obtendo informação sobre os
usuários mesmo fora do site.
Tanto Google como Facebook tem como fonte de lucro a
publicidade altamente relevante. Quanto mais dados conseguem, mais sofisticados
precisam ser seus filtros, ou seja, os sites estão em constante evolução.
A previsão de que o agente inteligente da relevância seria um
agente duplo se confirmou. “(...) para os usuários, os dados são a chave para a
oferta de notícias e resultados pessoalmente relevantes; para os anunciantes,
os dados são a chave para encontrar possíveis compradores. A empresa que tiver
a maior quantidade de informações e souber usá-las melhor ganhará os dólares da
publicidade” (p.10).
REFERÊNCIAS:
PARISER, Eli. O Filtro Invisível - o que a internet está escondendo de você. Disponível em: <https://si3.ufc.br/sigaa/ava/index.jsf>. Acesso em 10 de setembro de 2017.
PARISER, Eli. O Filtro Invisível - o que a internet está escondendo de você. Disponível em: <https://si3.ufc.br/sigaa/ava/index.jsf>. Acesso em 10 de setembro de 2017.




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