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| As eras culturais são divididas de acordo com as mudanças tecnológicas e os novos hábitos de comunicação, para Santaella |
Para a pesquisadora Lucia Santaella, a chamada ‘cultura das mídias’ foi uma fase intermediária entre o momento da cultura de massas e o surgimento da cultura virtual ou cibercultura. No intuito de melhor compreender essas passagens de uma cultura a outra, a autora adotou uma divisão das ‘eras’ em seis tipos de formações socioculturais: a cultura oral, a cultura escrita, a cultura impressa, a cultura de massas, a cultura das mídias e a cultura digital.
No entanto, Santaella não
considera que são apenas as novas tecnologias ou os novos meios de comunicação
que fazem as transformações culturais. “(...) os meios de comunicação, desde o
aparelho fonador até as redes digitais atuais, não passam de meros canais para
a transmissão de informação.” (p.2)
Porém, a autora reforça o
pensamento de Marshall McLuhan de que ‘o meio é a mensagem’, ou seja, o
conteúdo da mensagem é diretamente influenciado pelo modo de transmissão dessa
mensagem, pressupondo uma linguagem e um sistema signico diferente para cada
veículo.
Outro ponto defendido é que
qualquer mídia é inseparável das formas de socialização e cultura que cria, de
modo que o advento de cada novo meio de comunicação traz consigo um ciclo
cultural que lhe é próprio. Cada nova mídia molda um novo ambiente social.
Santaella afirma que foi com o
surgimento de alguns equipamentos e dispositivos nos anos 1980 que se tornou
possível o aparecimento de uma cultura do disponível e do transitório, a
cultura das mídias. Fotocopiadoras, videocassetes e aparelhos para gravação de
vídeos, TV a cabo, walkman e walktalk, videoclipes e videogames têm como
principal característica propiciar a escolha e consumo individualizados, em
oposição ao consumo massivo.
“Foram eles que nos arrancaram da
inércia da recepção de mensagens impostas de fora e nos treinaram para a busca
da informação e do entretenimento que desejamos encontrar. Por isso mesmo,
foram esses meios e os processos de recepção que eles engendram que prepararam
a sensibilidade dos usuários para a chegada dos meios digitais cuja marca
principal está na busca dispersa, alinear, fragmentada, mas certamente uma
busca individualizada da mensagem e da informação.” (p.5)
Apesar de haver semelhanças, uma
diferença fundamental entre cultura das mídias e cultura digital (cibercultura)
está no fato muito evidente de que, na última, ocorre a convergência das
mídias, um fenômeno muito distinto da convivência das mídias, típica da cultura
das mídias.
A convergência das mídias é a
responsável pelo nível de produção e circulação de informação que há
atualmente, uma marca registrada da cultura digital. A informação é a moeda
corrente. Diferencia-se dos bens duráveis pela sua replicabilidade. É algo que
não necessita de posse para consumir, apenas de acesso. Por isso, a era digital
também se chama de ‘cultura do acesso’.
A tendência é que essa cultura se
alastre já que os computadores tendem a ficar mais baratos. Isso porque o poder
do microchip aumenta constantemente com os avanços da tecnologia da informação,
seu preço cai e o mercado aumenta.
“Esse crescimento é um indicador
fundamental por que a produção, o arquivamento e a circu lação da moeda
corrente da informação dependem do computador e das redes de telecomunicação,
estes, na verdade, os grandes pivôs de toda essa história.” (p.6)
Quanto às reações que a
ciberrealidade tem provocado nos estudiosos, Santaella cita a avaliação feita
por Heim. Para ele, são três os posicionamentos acerca da cultura digital. Os realistas ingênuos “alinham os computadores
com os poluidores que são jogados no terreno da experiência pura, não mediatizada.”
Já os idealistas, “consideram o mundo das redes o melhor dos mundos e apontam
para os ganhos evolutivos da espécie.” Ou seja, os primeiros abominam a
tecnologia, os segundos são superotimistas. Um último grupo apontado por Heim é
o dos céticos. Esses acreditam que o ciberespaço ainda é muito confuso, e
tentativas de compreende-lo são ineficientes por enquanto.
Para Santaella, não é mais
possível pensar a vida humana sem a tecnologia digital. A cibercultura é uma
cultura humana. As culturas humanas moldam nossa mente, especialmente as
tecnologias digitais, dos computadores, que são tecnologias da inteligência. A
autora acredita que as máquinas ficarão cada vez mais inteligentes e parecidas
com os humanos.
O conceito de pós-humano de
Santaella se refere ao repensamento do ser humano em sua relação com as
máquinas, no caso as tecnologias da comunicação e da informação. Acreditando
que os artista têm a resposta para as questões sobre o futuro, Santaella defende
que a cibercultura está trazendo transformações no ser humano não só a nível
cultural, social e mental, mas também biológico, dando origem a uma existência
pós-humana.
REFERÊNCIAS:
SANTAELLA, Lúcia. Da cultura das mídias à cibercultura: o advento do pós-humano. Disponível em: <https://si3.ufc.br/sigaa/ava/index.jsf>. Acesso em 9 de novembro de 2017

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