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| A cauda longa mostra as diferenças entre produtos para massas (genéricos) e produtos de nichos (específicos) |
CAPÍTULO 1
Chris
Anderson faz uma comparação entre a lógica do mercado da mídia do
entretenimento antes e depois do advento da internet. Através de dados sobre o
consumo em lojas virtuais, o autor argumenta que a rede mudou a dinâmica entre
demanda e oferta e com isso, equiparou os grandes sucessos comerciais aos
produtos que antes eram marginalizados.
A
superação de certos limites de custo das lojas físicas pelas lojas virtuais
resultou em mais produtos disponíveis para escolha dos consumidores, e assim
produtos antes ignorados pela economia tornaram-se importantes, ou melhor,
lucrativos.
O
autor diferencia o mundo da escassez, no passado, do mundo da abundância, no
presente. Antes, no mundo da escassez, a indústria tinha que se preocupar em
encontrar o público local, que é limitado. Dessa forma, “os varejistas se
interessarão apenas pelo conteúdo capaz de gerar demanda suficiente para pagar
os custos de estocagem”. (p.2)
Como
consequência dessa restrição, a indústria do entretenimento encontrou como
solução o “foco no lançamento de grandes sucessos”. São os filmes campeões de
bilheteria, os livros best-sellers, os hits da música etc.
“Agora,
com a distribuição e o varejo online, estamos ingressando no mundo da
abundância. As diferenças são profundas.” (p.2)
O
autor utiliza gráficos que relacionam as demandas pelas músicas disponíveis na
Rhapsody (serviço por assinatura de streaming de música) para demonstrar que as
lojas virtuais deram relevância aos ‘não-hits’.
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| Gráfico 1 |
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| Gráfico 2 |
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| Gráfico 3 |
“Como
se vê, ainda estamos falando de volumes significativos. Bem aqui no fundo, onde
sempre supúnhamos que basicamente não houvesse demanda expressiva, as baixas
ainda se situam na média de 250 por mês. E como os não-hits são tão numerosos,
suas vendas, embora pequenas para cada faixa, rapidamente atingem volumes
consideráveis. Aqui em baixo, a área sob a curva, onde sua linha, vista a
distância, parece quase encostar no eixo horizontal, na verdade é responsável
por cerca de 22 milhões de baixas por mês, quase um quarto do negócio total da
Rhapsody.” (p.3)
“(...)
para varejistas online, como Rhapsody, o mercado é aparentemente infinito.
Sempre há alguém que baixa, pelo menos uma vez por mês, não só alguma de suas
60 mil faixas mais vendidas, mas também outras de suas 100, 200 ou 400 mil
faixas principais — e até as 600 mil, 900 mil faixas mais importantes, e ainda mais
do que isso. E assim se forma a Cauda Longa.” (p.4)
O
conceito de cauda longa simboliza a parte do gráfico que tende ao infinito,
apontando as possibilidades de consumo dos produtos ditos impopulares, muito
mais numerosos que os populares, os ‘hits’.
“O
verdadeiramente espantoso sobre a Cauda Longa é seu tamanho. Mais uma vez,
quando se combina quantidade suficiente de não-hits, se está de fato criando um
mercado que rivaliza com o dos hits.” (p.5)
“Quando
se pensa no assunto, a maioria dos negócios de Internet bem-sucedidos de alguma
maneira explora a Cauda Longa.” (p.5)
“Ao
superar as limitações da geografia e da escala, empresas como essas não só
expandem seus mercados, mas também, o mais importante, descobrem outros
mercados inteiramente novos.” (p.5)
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| Catálogo da Netflix, serviço de streaming de vídeos online |
Para
o autor, o sucesso dos negócios virtuais está diretamente relacionado à
variedade de opções dispostas, sobretudo pelos produtos não encontrados nas
lojas físicas tradicionais, e ao mercado maior. As condições técnicas da
internet permitiram que ambos, hits e nichos, se tornassem arquivos em bancos
de dados, com mesmo custo e mesmo potencial de rendimento.
CAPÍTULO 5
Anderson
inicia o capitulo “Os Novos Produtores” com uma história sobre a noite de 23 de
fevereiro de 1987, um marco para a astronomia contemporânea. Nessa noite, uma
importante teoria sobre o funcionamento do universo foi confirmada graças ao
trabalho conjunto de astrônomos profissionais e amadores dispersos em países
diferentes.
A
questão é que esse evento marcou uma nova era, chamada “Pro-Am”, em que profissionais
e amadores trabalham lado a lado. E isso não só na Astronomia, mas em diversos
campos do conhecimento e ofícios, interligando pessoas com interesses comuns
que compartilham o que sabem com os demais. Toda essa revolução foi possível
graças a uma ferramenta indispensável atualmente para troca de informações: a
internet.
Os
chamados “Pro-Ams” são resultado da primeira força da Cauda Longa: a
democratização das ferramentas de produção.
“(...)
o advento do computador e das ferramentas de produção estão democratizando o
estúdio. A GarageBand da Apple, que vem de graça em todos os computadores Mac,
cumprimenta o usuário com a sugestão "Grave seu próximo grande hit",
e fornece as ferramentas para fazer isso. Além disso, as câmeras de vídeo
digitais e os softwares de edição (...) estão colocando essas novas ferramentas
nas mãos de todos os cineastas domésticos — algo antes reservado apenas para
profissionais.
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| O GarageBand, software da Apple que simula estúdio de música |
Em
seguida, vem a palavra escrita, sempre na vanguarda do igualitarismo. (...), foram
os blogs (...) que desencadearam a renascença da editoração amadora. Hoje, milhões
de pessoas lançam publicações diárias para um público que, no conjunto, é maior
que o de qualquer veículo da grande mídia. Por sua vez, os blogs são consequência
da democratização das ferramentas: o advento de softwares e de serviços simples
e baratos que facilitam a tal ponto a editoração online que ela se torna acessível
a todos.
O
mesmo se aplica à edição e impressão de fotos por computador, a video-games que
estimulam os jogadores a criar e a compartilhar suas próprias alternativas e à
publicação de livros impressos por encomenda.” (p.9)
Todas
essas transformações permitiram que as pessoas, antes a maioria como
consumidores passivos, pudessem se tornar produtores ativos. Esse processo muda
toda a economia estabelecida na revolução industrial pelos produtores, baseada
no consumo pela maioria. O acesso democratizado às ferramentas de produção
permite que milhões de pessoas, hoje, sejam produtores amadores.
Um
bom exemplo dessa revolução é a Wikipédia, a enciclopédia virtual. Seu
co-fundador, Jimmy Wales, “decidiu construir uma grande enciclopédia online de
uma maneira inteiramente nova — explorando a sabedoria coletiva de milhões de
especialistas e semi-especialistas amadores, apenas pessoas comuns que se
julgam conhecedoras de alguma coisa. Essa enciclopédia estaria disponível de
graça para todo o mundo; e seria criada não por especialistas e editores, mas
por todos que quisessem contribuir.” (p.10)
“Na
Wikipedia, contudo, é possível melhorar o verbete ou criar um novo verbete.
Esse tipo de mudança, de ressentimento passivo para participação ativa, faz
enorme diferença.” (p.11)
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| Jimmy Wales, co-fundador da Wikipédia, a enciclopédia virtual |
Uma
das principais críticas à Wikipédia é quanto à confiabilidade das suas
informações, pelo fato de que qualquer pessoa pode editar seus verbetes. A
verdade é que a enciclopédia de Wales funciona com base na lógica da
estatística probabilística, que trabalha mais com probabilidade do que com
certeza.
“Esses
sistemas probabilísticos não são perfeitos, mas, sob o ponto de vista
estatístico, são otimizados para, com o tempo, tornar-se excelentes. Eles foram
concebidos para "aumentar de escala" e melhorar com o tamanho. Um
pouco de confusão e possíveis falhas na microescala são o preço que se paga
pela eficiência na macroescala.” (p.11)
“A
vantagem dos sistemas probabilísticos é que eles se beneficiam da sabedoria das
multidões (...) No entanto, como essa característica sacrifica a certeza
absoluta em microescala, é preciso considerar cada resultado isolado com um
pouco de dúvida. A Wikipédia deve ser a primeira fonte de informação, mas não a
última. Deve ser o site para exploração de informações, mas não a fonte
definitiva dos fatos.” (p.12)
Um
aspecto dos produtos probabilísticos é que a qualidade varia, ou seja, “algumas
coisas serão ótimas, outras serão medíocres e ainda outras serão lixo”. No caso
da Wikipédia, encontra-se desde artigos corretos, aprofundados e exatos, até
outros com informações incompletas e falsas.
Mas
o que torna a Wikipédia tão extraordinária é sua capacidade de melhorar com o
tempo, inclusive corrigindo os erros e as falhas, graças aos milhões de
colaboradores espontâneos.
“Os
autores da Wikipédia tendem a ser pessoas liberais, entusiasticamente engajadas
e motivadas pela oportunidade de melhorar o conhecimento público de algum
assunto de que são aficionados e profundos conhecedores (...), que passaram a
contar com as novas ferramentas simples e democráticas de produção de enciclopédias:
um browser e uma conexão com a Internet.
Esse
é o mundo da "peer production" (produção colaborativa ou entre pares)”.
(p.14)
O
autor ainda questiona o porquê de tantas pessoas hoje estarem dispostas a
criar, a produzir conteúdo, sem nenhuma perspectiva de retorno financeiro, como
habitualmente ocorria, antes da internet. A resposta está na divisão da Cauda
Longa, com cada parte representando um modelo econômico.
“No
alto, na cabeça, onde os produtos se beneficiam de canais de distribuição de
mercado de massa poderosos, mas dispendiosos, predominam os aspectos de
negócios. Esse é o domínio dos profissionais e, como tal, por mais que os
produtores amem a profissão, trata-se também de trabalho e de fonte de renda. Os
custos de produção e de distribuição são altos demais para que a economia fique
em segundo plano em relação à criatividade. O dinheiro impulsiona o processo.
Embaixo,
na cauda, onde os custos de produção e distribuição são baixos, graças ao poder
democratizante das tecnologias digitais, os aspectos de negócios geralmente são
secundários. Em vez disso, as pessoas criam por várias outras razões—expressão,
diversão, experimentação etc. A razão por que o fenômeno assume características
de economia e a existência de uma moeda no reino capaz de ser tão motivadora quanto
o dinheiro: reputação. Medida pelo grau de atenção atraída pelo produto, a
reputação pode ser convertida em outras coisas de valor: trabalho,
estabilidade, público e ofertas lucrativas de todos os tipos.” (p.14)
A
divisão da Cauda Longa também diferencia os produtores quanto ao interesse
sobre a propriedade intelectual. As grandes empresas fazem de tudo para
reforçar seus direitos de propriedade intelectual, contra a distribuição
irrestrita de seus produtos, enquanto outros produtores veem essa distribuição
positivamente, como marketing de baixo custo até.
“No
topo da curva, os estúdios cinematográficos, as grandes gravadoras e as editoras
defendem com ferocidade seus direitos autorais. No meio, domínio dos selos
independentes e das editoras universitárias, situa-se uma área cinzenta. Mais
abaixo, na cauda, principalmente na zona não-comercial, um número cada vez
maior de criadores de conteúdo está optando de maneira explicita por abrir mão
de algumas de suas proteções de propriedade intelectual.” (p.15)
REFERÊNCIAS:
ANDERSON, Chris. A Cauda Longa.
Disponível em: <https://si3.ufc.br/sigaa/ava/index.jsf>. Acesso em 18 de
agosto de 2017.








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